sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Recursos Humanos - As sete leis espirituais do sucesso

O propósito maior de todo ser humano é ser feliz. Confira artigo que relaciona a idéia de felicidade ao sucesso.
De forma muito simplista, o propósito maior de todo ser humano é ser feliz. Influenciados pelo contexto e valores da sociedade ocidental, inevitavelmente, acabamos relacionando a idéia de felicidade ao sucesso.

Há quase 10 anos atrás, li o livro “As 7 Leis Espirituais do Sucesso”, escrito por Deepak Chopra. Naquela época, pouco se falava da espiritualidade no mundo corporativo. Recentemente, assisti ao DVD sobre o livro e foi interessante perceber como aquelas idéias perderam o cunho de ser apenas uma busca pessoal, e parecem, hoje, ser tão essencial à sobrevivência neste ambiente competitivo e, na maioria das vezes, árido das organizações contemporâneas. Na realidade, são as leis da vida! Este artigo é uma reflexão sobre a relação das idéias dessa obra com a gestão das pessoas.

A primeira lei trata “da potencialidade pura”, que acontece quando descobrimos a nossa essência e reconhecemos as nossas infinitas possibilidades e o poder delas decorrente. Este poder magnetiza, atrai, cria vínculos. Esta lei depende do autoconhecimento, que hoje é tão valorizado no mundo corporativo, na medida em que nele se baseia o desenvolvimento pessoal, ou seja, o desenvolvimento de outras competências. Meditação, silêncio, atitudes contemplativas são algumas das formas de trilhar esse caminho.

A gestão de pessoas tem focado bastante sua atenção para estes aspectos, por meio de ações de desenvolvimento pessoal e, em especial, das lideranças, como importante fator de reconhecimento destas possibilidades.

A segunda é a lei “da doação”. O universo opera através de trocas de energia. ”O fluxo da vida nada mais é do que a interação harmoniosa de todos os elementos e de todas as forças que estruturam a existência.” Tanto nos relacionamentos interpessoais, como na gestão do conhecimento, cada vez mais, a troca é valorizada, pois a única forma de perpetuar, enriquecer, encontrar soluções é compartilhar, colaborar, doar aquilo que temos de melhor.

A terceira, a lei “do carma”, expressa no dito popular “você colhe aquilo que você semeia.” A melhor maneira de entender e utilizar a lei do carma é estar conscientemente alerta para as escolhas que fazemos a todo o momento. Na verdade, é assumir a autoria da própria história, e isto impacta no como as pessoas se posicionam frente às constantes adversidades que a vida, dentro e fora das corporações, nos apresenta. Pessoas que não percebem e nem assumem suas escolhas passam a vida se fazendo de vítima, como se, não tivessem escolhas!

A quarta a lei “do mínimo esforço”. Precisamos aprender e agir como a natureza: ela funciona sem esforço, sem ansiedade. A natureza simplesmente acontece. Nós gastamos muita energia desnecessária porque contrariamos a nossa própria natureza, a começar quando fazemos algo de que não gostamos, ou um trabalho que não tenha significado para a realização de nossa missão pessoal.

A quinta lei “da intenção e do desejo” fundamenta-se no fato de que a energia e a informação existem em toda parte da natureza. De acordo com esta visão quântica do universo, “a mudança consciente acontece através de duas qualidades inerentes à consciência: a atenção e a intenção. A atenção energiza e a intenção transforma. Quando você concentra sua atenção em alguma coisa, ela fica mais forte em sua vida”. A intenção é o poder que move o desejo e organiza a sua realização.
Há muito tempo, organizações têm focado sua atenção nos aspectos motivacionais dos indivíduos, pautados pela ciência. Essa lei trata desta questão sob uma nova ótica. Muitas ferramentas usadas nos processos de coaching são baseadas nessa lei. Quando sugerimos que as pessoas desenvolvam suas metas, um plano de ação para atingir os seus objetivos, estamos usando a lei da intenção e do desejo.

A sexta lei espiritual do sucesso é a lei “do distanciamento”, segundo a qual, para se conseguir qualquer coisa na natureza é preciso desapegar-se dos resultados. Esta é a lei mais complicada de entender e de praticar, pois desapegar-se não significa abandonar a intenção e o desejo. Significa evitar a rigidez mental sobre como as coisas devem ser. Não forçar soluções de problemas, criando novos problemas. É ter a disponibilidade para aceitar a incerteza inerente à existência humana. Isto permite que enxerguemos possibilidades diferentes, de quando nos apegamos a determinado padrão de resposta, solução, expectativa.

A sétima, a lei do “darma” (palavra sânscrita que significa o propósito da vida): “Todos temos um dom singular ou um talento único para dar aos outros”. O mundo corporativo sabe disto e seu grande diferencial competitivo está na capacidade de identificar, atrair, reter e desenvolver esses talentos, nesta era do capital humano. Felizmente, esta visão que antes se restringia àquilo que o ser humano pode colocar a serviço dos interesses e resultados organizacionais. Hoje, já não se trata do talento só intelectual, mas ele é entendido numa perspectiva mais holística, em que aspectos emocionais e espirituais são valorizados, pois impactam na realização pessoal, e isto, afeta os resultados, na maioria dos casos, medidos pelo lucro.

Esta lei está relacionada ao significado do trabalho, porque se o trabalho não estiver alinhado com o propósito maior da existência, ele não será uma fonte de realização pessoal. Na medida em que, na maior parte de nossa existência, trabalhamos, esta é uma questão decisiva na concepção do que seja sucesso.

Neste ponto, o principal aspecto é a pessoa perceber que este talento só faz sentido se estiver a serviço da humanidade. Quando você combina a capacidade de expressar seu talento único com os benefícios da humanidade, está fazendo pleno uso da lei do “darma”.

Pela influencia de nossa cultura ocidental, buscamos sempre no caminho das ciências, as respostas e soluções para as importantes questões do mundo moderno, inclusive para os negócios. Com a aproximação da cultura oriental, da filosofia, dos estudos focados na espiritualidade, começamos a perceber que esta fantástica teia do conhecimento, sob um olhar multidisciplinar e multidimensional, contribui para que os indivíduos alcancem o autodomínio e entendam que são “seres espirituais passando por experiências humanas” e não ao contrário, seres humanos vivendo experiências espirituais.



Por Denize Dutra (consultora sênior do Instituto MVC e professora dos MBAs executivos da FGV).
Fonte: Gestão RH (www.gestaoerh.com.br)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Gestão Ambientais aplicadas pela Hotelaria

Para Fenger (2002), o planejamento hoteleiro envolve diversas variáveis, sendo uma delas relacionada à questão ambiental. Assim segundo o autor, desenvolver a hotelaria e ao mesmo tempo conciliar o respeito à sustentabilidade, isto é, preservar o meio ambiente, a cultura local e manter-se o atrativo turisticamente é um dos principais desafios para os planejadores hoteleiros.
Por isso entende-se que a qualidade na exploração hoteleira depende, e muito da qualidade do meio ambiente no qual ela está inserida. Neste contexto, a gestão ambiental, tendo em vista o controle e gestão dos resíduos geradores e a conseqüente escassez de recursos naturais que está ocasiona é considerada fator fundamental para o planejamento hoteleiro.
Em função disso, os hotéis estão trazendo o gerenciamento ambiental para dia-a-dia de seus negócios, pois utilizam os recursos naturais, energia, água e outros materiais que estão sob ameaça crescente. (GONÇALVES, 2004).
Há uma série de programas, projetos e sistemas de gestão ambiental sendo implementados pelas empresas brasileiras.

Hóspedes da Natureza
A associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) adquiriu, em 1999, os direitos de tradução e adaptação à realidade nacional do Environmental Action Pack for hotels e, a partir dele, criou o Programa hospedes da natureza (PHN).
O PHN oferece uma consultoria especializada em gestão sócioambiental, treina recursos humanos, disponibiliza material de apoio à sua implementação e mantém um cadastro de fornecedores de produtos, equipamentos e serviços que causam o menor impacto possível ao meio ambiente.
Com metodologia própria, avalia a adequação ambiental dos hotéis e concede, a quem alcança uma pontuação mínima, o Selo ABIH de Compromisso Sócio-Ambiental, com validade de dois anos. Após uma Segunda avaliação, mais detalhada e exigente, o hotel poderá receber o Selo ABIH de responsabilidade Sócio-Ambiental.
O Programa Hóspedes da Natureza visa à promoção de ações ambientalmente corretas nos empreendimentos hoteleiros através do uso racional e sustentável dos recursos naturais, sem perder de vista os resultados econômicos decorrentes da eficiência energética, conservação de água e redução da geração de resíduos sólidos, efluentes e emissões.

Roteiro de Charme

O Roteiro de Charme é uma associação privada, sem fins lucrativos, é uma versão brasileira do Relais et Chateaux da França, no Brasil conta com a participação de cerca de 30 hotéis, pousadas e refúgios ecológicos. Eles são regidos por cinco conceitos fundamentais: cortesia, charme, caráter, calma e gastronomia. Na versão brasileira, com a intenção de aprimorar os serviços, desde 2000, vêm implantando um Código Voluntário de Conduta Ambiental.
Os Códigos Voluntários de Conduta Ambiental foram defendidos no plano de ação aprovado pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Os Códigos Voluntários de Conduta Ambiental têm-se mostrado eficientes, visto que a participação é decorrente da conscientização voluntária das empresas.
No seu site esta associação coloca o texto completo do seu Código de Ética e de Conduta Ambiental, este contempla o processo de implementação, economia de energia elétrica, economia de água e procedimentos para com os resíduos sólidos e os efluentes. A versão completa do Código de Ética e de Conduta Ambiental está nos anexos.
Além de comprometidos com a preservação ambiental, esses estabelecimentos participam de projetos de preservação da fauna e da flora e da herança cultural das regiões onde se localizam.
A Associação dos Roteiros de Charme assegura a divulgação desses procedimentos no Guia Passaporte de Roteiros de Charme, publicado anualmente, com uma tiragem de 50.000 exemplares.

Produção mais Limpa

Esse tipo de sistema ambiental foi desenvolvido e estimulado pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), é a aplicação continua de uma estratégia preventiva que visa minimizar os impactos dos processos, produtos e serviços, para aumentar a eficiência e reduzir riscos aos seres vivos e ao meio ambiente.
Seu foco principal é conscientizar as empresas para a prevenção da poluição, procurando a fonte dos desperdícios e emissões por meio de programa para o uso eficiente dos recursos. Tem como propósito: aumentar a eficiência, prevenir a poluição do ar, da água e do solo, reduzir resíduos na fonte de poluição, e minimizar os riscos para a população humana e o ambiente.
Por meio da Produção mais Limpa é possível observar como um determinado procedimento é executado, e detectar onde ocorrem os desperdícios, o que permite melhorar o aproveitamento dos recursos naturais e diminuir a geração de resíduos.
O programa de Produção mais Limpa requer tanto melhorias tecnológicas quanto mudanças de atitude. As melhorias significam aumento da eficiência, adotando melhores técnicas de gestão, revisando políticas e procedimentos quando necessário. Mudar as atitudes significa encontrar uma nova abordagem para o relacionamento entre a empresa e o meio ambiente.

Carta Ambiental

Desenvolvido pela rede Accor, desde 1997 na França e 1999 no Brasil, o projeto zela pela preservação do meio ambiente dentro das empresas do grupo, esta política ambiental está inserida em todos os níveis hierárquicos e os de negócios da empresa. Trabalha com o objetivo de conscientizar os colaboradores e hóspedes sobre a importância da preservação da natureza. Também trabalha para a conscientização ambiental dos fornecedores, utiliza as filosofias de conservação de recursos (água e energia) e Construção limpa em seus novos empreendimentos pelo mundo, desenvolve projetos envolvendo a utilização de energias renováveis, promove a educação ambiental através de publicações elaboradas pela própria rede, e estimula os clientes a valorizarem o meio ambiente.
Todos os hotéis atuantes relatam quais as ações da Carta Ambiental são executadas em suas unidades. Além dessas ações, existe o controle e o monitoramento mensal de energia, água e gás, com metas de redução.
No seu site são apresentados resultados alcançados com essa política ambiental:
• 207 toneladas de lixo reciclado em 2003 e aproximadamente 132 toneladas até julho de 2004;
• Redução de consumo de 80% de energia, água e gás;
• 102 hotéis envolvidos. Todos os hotéis envolvidos fazem parte de uma associação ou coletividade designada a promover ações em prol da ecologia.

Devido o sucesso alcançado pelo projeto, a meta inclui ainda a economia de eletricidade e gás, emprego pelos funcionários dos recursos obtidos com a reciclagem em projeto ambiental e social. Através deste projeto estão sendo levados ajuda a escolas carentes e a envolvimento com projetos ecológicos, inclusive a adoção de uma praça próxima a cada unidade hoteleira. Há, ainda, a prescrição de uma missão mínima anual para cada hotel: plantar pelo menos uma árvore.
Segundo Bonadona:
Na era que estamos vivendo a responsabilidade empresarial quanto ao meio ambiente deixou apenas de ter características compulsórias para transformar-se em atitude voluntária, superando as próprias características da sociedade. Devido de ser líder no setor da hotelaria, a Accor Hotels tem a grande responsabilidade de servir de exemplo para o resto do mercado. Sentimos-nos orgulhosos em poder contribuir com estas iniciativas e dividir nosso entusiasmo em um país tão importante como o Brasil cuja preservação é essencial para o equilíbrio ecológico mundial.


Normas ISO 14000

Conjunto de normas voluntárias para gestão ambiental. A séria de normas ISO 14000 é composta por dezenove documentos. Há dois tipos de padrões ISO: Padrões normativos especificam requisitos passíveis de auditorias, que devem ser preenchidos para a certificação, e padrões informativos somente orientam. Não são exigidos para a certificação.
Os princípios que embasam a ISO 14001 são a política e comprometimento ambiental, objetivos, metas e alvos ambientais, processos de gestão ambiental, auditoria e ação competitiva, análise crítica pela administração, e melhoria contínua. Realizadas todos as etapas a empresa irá receber uma auditoria, de terceira parte, com o objetivo de avaliar quanto ao atendimento das normas da ISO 14000, habilitando-a ou não a receber um certificado ambiental internacional.

Green Hotel

Existem associações que tem como objetivo reunir hotéis interessados pela problemática ambiental. Empresas em que os administradores implantam programas de economia de água, energia e também programas de diminuição dos resíduos sólidos. Os “Green Hotel” são empresas administradas com o intuito de ajudar a melhorar o desempenho ambiental da atividade a que a empresa pertença. Tem como objetivo auxiliar os hotéis a criarem seu próprio programa ambiental mantendo as características do local sem abusar dos recursos existentes. Através dele é possível encontrar alternativas para a redução de energia, para o não desperdício, para a reciclagem e a reutilização de produtos, efluentes, políticas de compras e etc.
Os hotéis poderiam de contribuir para a solução dos problemas ambientais visto que esses problemas acabam influenciando negativamente nos seus negócios. Diante de tantos problemas ambientais às vezes acha-se que somente grandes ações podem trazer algum resultado. No entanto, todos podem de alguma forma auxiliar para a minimização dos impactos ambientais, e é aí que as empresas hoteleiras têm seu papel.
Pode-se concluir que, na verdade que atividade hoteleira, quando comparada a outros segmentos e atividades econômicas, tais como indústria em geral, não é causadora de grande poluição, nem mesmo consome quantidades significativas de recursos não-renováveis. (GONÇALVES, 2004).

Isto porque ela consome pouca energia, água, papeis e outros recursos, além de representar uma parcela mínima de poluição em termos de fumaça, ruídos ou poluentes químicos, uma vez que tomemos como parâmetro de comparação às atividades industriais tradicionais.


Estas afirmações encontram amparo no que cita Ruschmann (1997,p.24):
Os desastres ecológicos provocados pelo vazamento de petróleo nos oceanos, os riscos potenciais das usinas nucleares, os gases tóxicos, etc. Põem em risco a sobrevivência do homem no planeta, tornando os efeitos negativos do turismo até insignificantes.

Ainda assim, mesmo que possa se considerar a hotelaria como atividade econômica de pouco impacto ambiental, não se deve entender que a mesma esteja isenta de preocupação e responsabilidade para com a sustentabilidade.
Isto fica claro ao analisarmos Kirk (apud Gonçalves 2004,p.74) que afirma: que se os impactos forem somados, o segmento pode desenvolver um relativo potencial danoso ao meio ambiente.

domingo, 30 de novembro de 2008

O DESENVOLVIMENTO DA HOTELARIA

A atividade hoteleira, ao contrário do que muitos pensam já existe nos tempos antigos, remontando sua origem há mais de 2000 anos. Sua existência estava relacionada ao atendimento das necessidades dos comerciantes que viajavam para levar e trazer mercadorias. Desde de aquela época, as hospedarias já eram divididas por categorias e essa classificação dava-se quanto ao conforto e qualidade dos serviços prestados, como acontece hoje.
Os primeiros meios de hospedagem eram rústicos, e seus proprietários utilizavam as próprias casas para atender os visitantes. Já na Idade Média, em 1407, para aumentar a segurança nas hospedarias, foi criada a primeira lei de registro de hóspedes na França e também neste país em um século depois, surgiu outro avanço importante para a hotelaria atual: o estabelecimento de tarifas para as pousadas, visando aumentar a qualidade dos serviços prestados ao hóspede (FLORES,1993).
Com o passar do tempo foram surgindo na América os albergues, em especial nos Estados Unidos, começaram a revolucionar a hospedagem e tiraram a supremacia da Europa neste ramo econômico. Após a Revolução Industrial, os Estados Unidos já ofereciam os melhores serviços de hospedagem e eram os líderes mundiais em termos de albergues. O desenvolvimento da economia norte americana promoveu um grande aumento no turismo e começou a haver uma grande disputa entre os hotéis.
A hotelaria apresentou um grande desenvolvimento e diversos hotéis foram construídos e as inovações começaram a surgir. Em 1829, o Hotel Tremont House de Boston surgiu com novidades e mais opções, como quartos single (para uma pessoa) e doublé (para duas pessoas), assim como objetos de cortesia para higiene pessoal.Já na Europa, essa evolução chegou mais tarde em 1870, com o primeiro hotel construído especialmente, em Paris, constituindo-se no marco inicial da hotelaria planejada. O hotel Ritz trazia inovações que iam desde a uniformização dos funcionários até banheiros privativos (REVISTA HOTÉIS)
Na década de 1950, nos Estados Unidos ocorre uma nova evolução com o surgimento de empreendimentos junto às rodovias que visavam a atender aqueles que viajavam de automóvel. Esses empreendimentos, chamados de motéis, começaram a desenvolver-se rapidamente e devido seu sucesso tornaram-se concorrentes dos hotéis.
No Brasil, a hotelaria tem seu primeiro registro formal com Marcos Lopes no século XVII. Anteriormente, a hotelaria existia de modo informal, pois certas pessoas de diversas profissões transformavam suas casas em estalagens, para abrigar os viajantes. Para acabar com o caos da época na indústria hoteleira e evitar que qualquer pessoa possuísse um albergue sem condições de um bom atendimento, foi feita no século XVIII, a primeira classificação das hospedarias de São Paulo hospedagem mais simples a hotéis. Nesta mesma época para hospedar-se em um hotel o turista necessitava de carta de recomendação (REVISTA HOTÉIS).
No Rio de Janeiro o marco da hotelaria foi a inauguração do importante Copacabana Palace Hotel, que colaborou para transformar a cidade em um pólo turístico. Outro importante empreendimento foi o Hotel Glória que ainda hoje é um dos maiores hotéis do país, com 602 apartamentos.
Durante as décadas de 70 e 80, incentivos do governo brasileiro levaram a hotelaria a apresentar uma grande expansão. Vários hotéis novos com novos conceitos de atendimento e serviços foram criados como: o Vila Rica, o Luxor e a Rede Othon, uma das principais na hotelaria nacional. O crescimento da hotelaria trouxe ainda redes internacionais como Hilton e Sheraton contribuindo para o desenvolvimento de um serviço profissionalizado na hotelaria do Brasil (REVISTA HOTÉIS).
. A partir do final da década de 90, devido à globalização e à necessidade de atrair mais turistas ao Brasil, o governo investiu significamente através do fomento da linha de credito na hotelaria e no turismo. A vinda de redes hoteleiras mundiais tem aumentado e movimentado cada vez mais o turismo, pois além dos investimentos feitos pelo governo, o aumento da competitividade, os custos mais acessíveis das passagens aéreas e a busca de mais tempo para o lazer têm ajudado nesse grande passo dado pela hotelaria nos últimos anos.
A cidade de Porto Alegre tornou-se num grande pólo hoteleiro, devido sua posição estratégica como capital do Mercosul, com isso atraindo inúmeros executivos que vêm a trabalho na capital do Rio Grande do Sul. Além disso, o turismo de lazer é muito forte no estado, devido à região serrana, com ênfase nas cidades de Gramado, Canela, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Nova Petrópolis (FLORES,1993)

A IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS DE FIDELIDADE E O CRM PARA AS EMPRESAS

É extremamente importante para as empresas, pois o vínculo empresa- cliente, há um foco voltado para o cliente, como saber de suas necessidades, tendo como primordial, o “ bom atendimento”. O cliente satisfeito, além de retornar, indica a empresa.
A fidelidade é importante tanto nos bons momentos quanto aos críticos.
A implementação do Programa de Fidelidade, nas empresas aéreas, na rede hoteleira etc, tem surtido efeito.
Uma empresa prestadora de serviços pode sair ganhando ao executar um serviço com qualidade consistentemente superior à da concorrência e superar as expectativas dos clientes.
O CRM ou Gerenciamento de Relações com o cliente se torna muito importante e competitivo, para qualquer empresa nos dias de hoje.
CRM, auxilia o Marketing de relacionamento e na tomada de decisões importantes em razão ao cliente, pois as mudanças em várias áreas da economia, de negócios, vem centrado no cliente.
O cliente não vê com bons olhos, ser apenas um número estatístico, ele quer ser lembrado personalizadamente.
As empresas tem que oferecer qualidade no atendimento, rapidez na entrega, Ter o foco no cliente, pois ele é a razão da empresa existir.

A Hora da Verdade

Este livro é uma valiosa contribuição para empresas de todos os setores que estejam abertas a mudanças. Acima de tudo, oferece uma filosofia inovadora – a experiência viva de quem resolveu mudar as regras do jogo e conquistou um lugar de destaque no mundo da administração.
Jan Carlzon inventou uma parte importante do futuro. Ele deu um modelo de administração para a nova era, colocando de cabeça para baixo a tradicional pirâmide de autoridade e mostrando aos gerentes como servir e liderar ao mesmo tempo. Ele lembra que a única coisa que realmente importa é o que acontece na hora da verdade.
A idéia principal do autor é extinguir as barreiras horizontais à comunicação. Fazer com que os administradores tornem-se líderes e auxiliares do pessoal da linha de frente que atende diretamente ao cliente e ao mercado.
O que o autor chamou de "a hora da verdade" é o momento em que o cliente entra em contato com o pessoal da linha de frente: é nessas ocasiões que ele forma sua imagem da empresa e é essa experiência que o faz voltar ou não a procurar os seus serviços.
Carlzon sugere que as organizações sejam literalmente viradas de cabeça para baixo. Precisamos aprender a dar as boas-vindas às mudanças em vez de lutar contra elas, assumir corajosamente os riscos em vez de eliminá-los, dar mais força à linha de frente em vez de desmotivá-la e visar ao mercado altamente mutável à nossa volta em vez de nos concentrarmos em manobras internas, burocráticas e complicadas. Para prosperar numa economia voltada para os clientes: como definir uma estratégia, como estruturar uma organização para que as necessidades dos clientes tenham prioridade, como motivar e se comunicar com a equipe da linha de frente.
No início dos anos 1980, a companhia aérea Scandinavian Airlines, a SAS, passava pela maior crise de sua história. Os funcionários estavam preocupados com o rumo da empresa e com as medidas que o novo presidente, Jan Carlzon, de apenas 36 anos, iria tomar. Surpreendendo a todos, Carlzon, em vez de cortar custos, reduzir as tarifas e a quantidade de vôos, resolveu investir em modificações para aumentar o grau de conforto e satisfação dos passageiros. Para isso, alterou radicalmente a estrutura da companhia com uma nova filosofia de administração, que se tornou um dos modelos de gerência mais importantes no mundo dos negócios. O resultado foi uma extraordinária reviravolta na SAS, que, em menos de um ano, não só recuperou todas as suas perdas como também obteve lucros inéditos.
A teoria básica de Carlzon foi delegar poder aos funcionários que tinham cargos mais baixos, mas que lidavam diretamente com o cliente, ouvindo suas reclamações, elogios e necessidades. Assim, o poder passava a ser exercido não apenas pelos executivos, mas por todos da companhia, que eram treinados e incentivados a resolver problemas em nome da empresa. Ao eliminar as barreiras burocráticas, a SAS ganhou clientes cada vez mais satisfeitos e fiéis.
Carlzon inverteu a tradicional pirâmide hierárquica e delegou poder a todas as pessoas na linha de frente do atendimento. Assim, conseguiu superar uma das maiores crises da história da SAS, conquistando o prêmio "Empresa Aérea do Ano" em 1983.
Concordamos com o autor em todos seus pareceres sobre as horas da verdade e somente com a iniciativa no atendimento, poderemos ter resultados em nossos serviços, com a satisfação do cliente, pois é a alma do negócio.

Livro: A Hora da Verdade
Autor: Jan Carlzon foi trabalhar na Vingresor, a maior operadora de tuirsmo da Suécia, primeiro como gerente de produto e mais tarde como chefe do departamento de “marketing”. Em 1974 foi nomeado diretor executivo da Vingresor, onde após a grande crise do combustível, conseguiu inverter a situação de declínio econômico da empresa. Em 1978, tornou-se diretor executivo da Linjeflyg,a maior empresa aérea doméstica da Suécia, e em 1981 foi nomeado presidente e principal executivo CEO do grupo do SAS, e após menos do que um ano como o oficial e a cabeça operando-se principais da linha aérea. Girou rapidamente o SAS em um favorito da pessoa ávida de dinheiro e do consumidor, substituindo a orientação da produção com o foco de cliente. Era também um advogado para a competição livre no negócio europeu da linha aérea.
Jan SAS deixado Carlzon em novembro 1993 a transformar-se presidente, CEO e peça-proprietário de Transpool AB, um lazer integrado, curso e companhia da linha aérea. É também co-co-founder de uma companhia cliente-dirigida das telecomunicações - net - que foi introduzido com sucesso durante todo Europa. Com Ledstiernan AB, onde é o presidente e o sócio sênior, Jan Carlzon é envolvido diretamente ou indiretamente em mais do que os riscos uma dúzia novos dentro do setor.
Jan Carlzon é proprietário de uma companhia de capital de risco sueco, Karl Stockman AB de 50%, que entre outras companhias possuí uma das lojas de varejo principais na roupa. Karl Stockman AB é também o proprietário de NETt, companhia européia da maioria das telecomunicações.
Jan Carlzon fala freqüentemente sobre a liderança, o desenvolvimento da liderança e a gerência estratégicos do serviço em organizações cliente-dirigidas. Extraiu em muita de suas experiências em seu livro ' momentos da verdade '.

RevPar (revenue per available room)

Acredita-se que a maioria dos donos de pequenos e médios meios de hospedagem não sabem o que significar RevPar. Ao tomarem a iniciativa de empreender neste segmento eles só pensam em uma taxa de ocupação alta, independente o valor cobrado pelas diárias. Bem o que ocorre é que com o passar do tempo este meio de hospedagem começa a se desgastar e seu proprietário não consegue acompanhar e atualizar seu empreendimento porque a receita nunca é suficiente para cobrir todas as despesas e fazer uma reserva para futuros investimentos. O primeiro passo para se estabelecer um Revpar (receita por apartamento disponível) é saber quanto custa seu apartamento, de preferência ABERTO, ou seja, alugado, porque este custo é maior que o mesmo FECHADO. Para se fazer esta conta é necessário elaborar uma planilha com os custos fixos e os variáveis (estipulando-se neste caso uma taxa média de ocupação).

Acompanhe a fórmula.
Custo fixo + Custo variável
------------------------------------
(30 dias x Quantidade de apartamentos) x Taxa de Ocupação média anual

Exemplo:
20.000,00 + 10.000,00
------------------------------ = 30.000,00/450 = R$ 66,66
(30 x 25) x 60%
O Resultado de R$ 66,66 significa que este meio de hospedagem precisaria vender todos os seus 25 apartamentos todos os dias durante 30 dias (100% de ocupação) por R$ 66,66 a diária por apartamento para no mínimo empatar sua receita com suas despesas. Como esta façanha é quase impossível, ou seja, 100% de ocupação durante 30 dias, faz-se necessário estabelecer uma DIÁRIA MÉDIA, UMA TAXA DE OCUPAÇÃO MÉDIA para se obter um RevPar rentável.

Autor Sr. Raimundo Magalhães da Silva Junior Turismologo.

Desclassificação Hoteleira



Corria a segunda metade dos anos 70, presidência do General Ernesto Gaisel, quando o então presidente da Embratur Said Farah – e fez mesmo - resolveu que iria classificar a hotelaria brasileira e pra isso não mediu esforços e nem perdeu tempo, num único dia, conseguiu tramitar por toda a burocracia ministerial e palaciana e estavam prontas as normas que regeriam a dita classificação hoteleira.
Nós representantes dos órgãos de classe a duras penas conseguimos discutir e propor pequeníssimas alterações na Resolução que trazia os parâmetros da Classificação hoteleira.
A classificação era baseada em três critérios, Os aspectos construtivos, os equipamentos e instalações e finalmente serviços. Era necessário alcançar uma série de pontos em cada um desses itens para obtenção da classificação.
A hotelaria em principio se posicionou contra, pois a classificação vinha com um ranço de imposição, coisa da ditadura política de então.
A seguir começaram então os primeiros ensaios no que se convencionou chamar de classificação provisória, ou seja, o estabelecimento era visitado por um técnico da Embratur, que preenchia um formulário e depois o hotel recebia sua classificação provisória com tempo determinado para apresentar sua aceitação ou oposição, apresentando para tanto, recurso que seria julgado e confirmado ou alterado a classificação proposta.
Depois de marchas e contramarchas, acusações de favorecimento – principalmente no nordeste – discussões e muitas alterações nas normas, chegamos ao limiar de mais ou menos 2.000 (dois mil) hotéis classificados.
Verdade seja dita, apesar da inicial contrariedade, a hotelaria brasileira experimentou uma série de transformações, adaptações e construções para se adaptar as normas vigentes.
O publico em geral e principalmente os hospedes acostumaram-se a tratar a hotelaria pelas estrelas e com base nelas imaginavam o que encontrariam no hotel, sabiam que teria pelo menos o básico de cada uma das categorias, ou seja, de 1 (uma) a 5 (cinco) estrelas.
Os próprios hotéis passaram a ostentar nas suas placas, impressos e material de propaganda as ditas estrelas.
É certo que estavam muito desacreditadas e com isso resolveu a diretoria da Embratur de então extinguir a classificação hoteleira, cassando para isso a constelação estrelar dos hotéis ditos classificados, nas categorias de uma a cinco estrelas.
O que se viu a seguir foram voltas, contra voltas, revoltas e toda a sorte de opiniões dos setores envolvidos. A entidade civil da hotelaria brasileira lançou uma classificação em asteriscos (*), a Embratur acionou a entidade judicialmente, por entender que asterisco é igual à estrela e que as próprias tinham primazia de uso pela estatal.
A confusão então estava formada, ninguém se entendia e por acordo resolveram que a Embratur emitia as normas mas a entidade civil patrocinaria a classificação e ambas dividiriam o resultado do intento.
Vieram então as matrizes que inovaram e acresceram as cinco categorias existentes uma nova ou uma sexta e agora temos o seguinte quadro: 1 estrela – hotel simples; 2 estrelas – hotel econômico; 3 estrelas – hotel de turismo; 4 estrelas – hotel superior; 5 estrelas – hotel de luxo e finalmente a 5 SL estrelas (não seriam seis?) – hotel super luxo.
Para melhor entendimento vamos esclarecer no que diferem os chamados hotéis 5 SL estrelas (ou seis?) do tradicional cinco. No serviço de reservas o 5 comum atende 24 horas com pessoal bilíngüe já o agora conhecido 5 SL com pessoal trilingue e mais o seguinte: possuir telefonista trilingue, o hospede deve poder fechar a conta da própria unidade habitacional, serviço de mordomo, disponibilização de carros de luxo para locação, serviços de locação de helicópteros e por fim que na portaria e recepção o pessoal que trabalha deve falar português e mais três línguas estrangeiras.
Resultado disso tudo é que não temos no Brasil nenhum hotel situado na nova categoria e nem os brasileiros ou mesmo os estrangeiros sabem que ela existe, e no total não passam muito de cem os hotéis classificados e vontade muito perto de zero da hotelaria brasileira para esta classificação.
Então, para quem já teve mais de 2.000 hotéis classificados, podemos afirmar, o que se procedeu foi uma verdadeira desclassificação hoteleira.

Estanislau Emilio Bresolin
Presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares
e Similares do Estado de Santa Catarina e Advogado